Aumento do número de professores voluntários intensifica precarização na UFOP

Em atendimento à demanda dos docentes nas Assembleias Setoriais, a ADUFOP procurou a PROAD e PROGRAD para ter acesso ao panorama do quadro de professor equivalente, o número de efetivos, substitutos, credenciados e voluntários na UFOP. Na manhã do dia 22 de agosto, a professora Tânia Garbin, pró-reitora de Graduação, recebeu o professor André Mayer para conversa sobre o aumento do número de professores voluntários na instituição. Segundo ela, o trabalho docente voluntário foi regulamentado pela Resolução CUNI nº1780, em dezembro de 2015 e o que se vê na universidade é um aumento expressivo dessa “categoria”, colocando em risco a qualidade do ensino. “São diversas variáveis que têm influenciado o crescimento do número de voluntários, como aumento das aposentadorias, o não cumprimento das 8 horas obrigatórias de aulas por parte de alguns efetivos, os afastamentos para qualificação, e ainda solicitação de departamentos para que alunos da pós-graduação atuem como voluntários. Uma situação complicada que afeta a qualidade do ensino na graduação e precariza ainda mais o trabalho da nossa categoria”, disse.

Para o professor André Mayer, essa realidade é muito grave. “Do ponto de vista sindical, em uma situação de escassez na universidade, essa brecha de atuação como voluntário cria uma situação complexa de precariedade”. Ainda segundo o diretor da ADUFOP, “avaliando a conjuntura, que consolida a tendência de corte orçamentário, cancelamento de concursos, terceirização do trabalho docente, demissão de servidores efetivos, aumento da contribuição previdenciária, privatização da educação, o ‘trabalho voluntário’ cai como uma luva pra enterrar de vez a universidade pública e soterrar a categoria docente como profissional da educação que deve ser remunerado e ter condições garantidas de trabalho”.

O professor lembra ainda, que após a reunião da diretoria da ADUFOP com a nova reitora da universidade, em 31 de maio deste ano, foi sugerido e ressaltado: se não houver uma mobilização da atual administração contra os ataques do governo federal; se não houver um processo de resistência, que envolva toda a comunidade acadêmica e as entidades, DCE, ASSUFOP e ADUFOP, a UFOP vai se tornar presa fácil para o processo privatização.